5 de nov. de 2011

A atração entre transhomens e homens gays

Reabastecendo a xícara no café Williamsburg’s Variety, Amos Mac parece um típico gay moderno. Seu bigode fino e a cara de menino-bebê desmentem seus 30 anos. Com os cabelos negros, curto para os lados com uma massa de cachos rebeldes em cima; uma tatuagem grande no peito mostrada para fora: lê-se "identidade". Debaixo dela estão duas grandes cicatrizes cor-de-rosa, como meias-luas, a partir de sua dupla mastectomia. A cada dez ou 14 dias, o colega de quarto de Mac lhe dá uma injeção de testosterona prescrita, ou "T", como é conhecido na linguagem FTM (transexual do sexo biológico feminino para o masculino). Ele não tem nenhum desejo de realizar qualquer cirurgia abaixo dos cintos, diz que isso não é necessário pra ele ou pra qualquer pessoa com a qual ele sai.


Mac realmente não se vê como um homem comum, mas como um "transhomem", alguém que começou no sexo feminino e, em seguida, transferiu-se para o lado masculino do expectro de gênero. Mac ainda também se identifica como um "cara queer", o que significa que muitas vezes encontra-se atraído, sexualmente e ao namoro, por homens gays. Ele é um exemplo para uma nova geração menos preocupada com as fronteiras de gênero. "Quando eu era uma mulher ou menina ou algo assim", Mac diz - "Eu me identificava muito como um gay. Eu me atraí pela comunidade gay, e é nela que eu incorporo a mim mesmo". E, apesar de ele ter saído com mulheres: "Eu me sinto atraído por caras que têm um pouco de talento para eles. Eles não têm de ser gay, mas eles podem ser Queeny. Eu amo uma rainha artística.

Mac é o fundador e editor da revista trimestral "Original Plumbing", ele tirou o título do nick que um transhomen empregou para se referir à sua anatomia em listas perssoais. "É um projeto muito pessoal", diz Mac. "Eu queria dar aos transhomens uma voz."

Transexuais sempre estiveram lá fora, e muitos preferem as mulheres. Mas aqueles que se identificam como gays estão se tornando cada vez mais evidentes em Nova York, especialmente nos bares do Brooklyn, onde estão ajudando a elevar o quociente de bigode já elevado. Williamsburg's Metropolitan, em particular, conta com muitos transhomens jogando sinuca entre sua clientela, e não são inéditos em sites de redes sociais gays como Manhunt. "O que eu gosto em transhomens é a mesma coisa que eu gosto em outros homens", diz o estudante de Direito Ben Riskin, 26 anos, que tem se reunido com alguns. "Eles são masculinos e, muitas vezes, muito atraentes. É imaturo ter medo de partes do corpo de mulheres biológicas e essa idéia de que eles fazem o gênero de uma pessoa. Pessoas se atraem por pessoas. Parte de ser jovem e gay é que você não precisa colocar-se em rótulos."

"Ao crescer, algo me separava de minhas amigas," diz Mac. "Eu me sentia atraído por roupas masculinas. Eu tinha que usar vestidos. Mas, ao mesmo tempo, eu tinha realmente momentos de menino. Eu não era um típico homem no corpo de uma menina. Mas eu definitivamente não me sentia como uma menina." Mac decidiu sua transição de gênero aproximadamente a cinco anos atrás. "Eu me sentia cada vez menos ligado ao meu corpo, a não ser chamado de 'ela' ou ser visto como uma menina ou mesmo uma 'mulher de menino'. Tentei por um longo tempo adiar a transição e pensei que poderia viver confortavelmente como uma pessoa de gênero neutro, que não precisa mudar o seu corpo. Eu tentei trabalhar esse ângulo, mas então eu não pude mais." Mac acha que, agora, vivendo como um homem gay, ele está realmente mais confortável com o seu lado boy-band-loving femme side, como ele já não tem de manter uma postura masculina forçada para ser passável.

Mac se mudou de San Francisco para o Brooklyn em 2008, tornando-se o juiz da primeira competição "Mr. Transman", ocorrida recentemente no Knitting Factory.

Lá os transexuais aparentavam serem caras, e muitas vezes soavam como estudantes de graduação da teoria queer. "Eu sou de gênero variante, transgênero", diz Twiz, 28, um cara bonito, de olhar severo tipo greaser-punk, que fez a uma "cirurgia de cima", mas não toma testosterona. "Eu não me identifico como masculino ou feminino, mas um continuum de fluidez entre ambos". Brooklynite Kit Yan fez uma performance de nocautes com palavras-faladas, de pijama de time de futebol e com um pirulito, sobre como ele é um "menino trans esperto e sexy com um dom feminino superior para ensinar lições de etiqueta". Yan ganhou o título, juntamente com um saco de brinquedos de sexo [artigos de sex shop] e uma engenhoca que permite um transhomem fazer xixi de pé.

Fonte: http://nymag.com/news/intelligencer/66064/?imw=Y&f=most-emailed-24h10
Em 15/05/2010 por New York - News & Features.

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