"Sempre me interessei pelo universo trans. Não que eu queira entrar nele como um membro trans, até porque meus poucos cuidados estéticos me levariam a ser uma travesti desleixada, mas sempre achei fascinante a idéia da transformação, além de me sentir instigado a fazer alguma diferença para esse grupo tão discriminado.
Confesso, porém, que pouco me aprofundei na idéia dos Homens Transexuais (FTM). Já havia visto alguma coisa, mas nunca conheci ninguém com as características mulher-para-homem. Era sempre o contrário: As travestis e As transexuais. Contudo, nesse último mês, os homens transexuais passaram a ser parte das minhas maiores indagações.
Escrevi uma reportagem sobre a infância e adolescência de homens trans para a próxima edição da JUNIOR. E foi bárbaro, em nenhum momento cogitei estar perto de uma mulher ou de uma lésbica masculina. De fato, estive ao lado de HOMENS. Homens bonitos, cavalheiros e apaixonantes.
O Sammy (que está na reportagem da Junior e tem 21 anos) é um amor, além de bonito, másculo, é extremamente cavalheiro. Chegou a carregar minha mochila pesada, pagou a conta do jantar e me levou até a rodoviária, esperando até o momento do embarque. É claro que da parte dele não rolaria nada – ele estava apenas sendo simpático, tem namorada e gosta de mulher– mas da minha, confesso, que existiria a possibilidade, sim.
“Mas, Neto, ele tem uma vagina!”, escutei de um amigo. E daí? Existem pessoas que, apesar de terem um pênis, não provocam a menor atração em mim. Eu não me apaixono por alguém necessariamente por causa do sexo biológico. O que me envolve é o gênero. O gênero masculino.
Aliás, existe uma brutal diferença entre gênero e sexo biológico. Sexo biológico é aquele que você nasce - pênis e vagina – tendo a exceção para os intersexos (que é outra discussão). Gênero é como você se apresenta para a sociedade (nos moldes masculino ou feminino, tendo a exceção para os andróginos). Por exemplo, uma travesti (aquela que estamos acostumados a ver) tem um pênis e nem por isso todo gay ou mulher hétero tem vontade de transar com ela. Entende?
Voltando a falar sobre homens trans... Emprestei na semana passada o filme Buckback Montain do Mix Brasil. É do ator pornô Buck Angel, um homem transexual. Sim, ele apesar de ser todo bofão tem uma vagina e faz filmes gays. Confesso que ao ver a contra-capa senti uma certa repulsa. A imagem de homem com vagina (sendo passivo, principalmente) ainda não estava tão nítido na minha cabeça. Até que tive uma surpresa.
Após uma noite mal sucedida, justamente no esquema de gênero (nem toda pessoa com pênis me deixa excitado), coloquei o filme para assistir. As cenas de Buck foram acontecendo lentamente, o que deu para me acostumar com a idéia e, no momento em que ele tira as calças, mostra a vagina e se masturba, eu me excitei. Buck não se masturba como uma mulher, ele se masturba como homem masculino. Até nas cenas em que é passivo, ele se porta como tal. Afinal, ele é assim.
Tendo em vista o ponto educativo do filme...hehe...consegui tirar ainda mais o véu que assombra as identidades sexuais e de gênero. Neste caso, não tive que reconstruir uma imagem transgênero, do homem transexual e dos preconceitos que envolvem a minha vivência, mas desconstruir a imagem do pênis como fator decisivo para a homossexualidade.
O mito do pênis. Como se ele fosse a única fonte de prazer, aquilo que há de mais precioso em uma pessoa e em uma relação. Perdoem-me os fissurados na genitália, mas posso dizer que namoraria um homem transexual, sem problemas. Afinal, para mim, o gênero (e não somente o gênero, que fique claro) é mais interessante que um órgão sexual. O único problema é se eles vão querer, né?"
Fonte: Blog do Neto Lucon
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Homens trans no Brasil
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