16 de fev. de 2013

Homens trans no I Seminário de Cidadania Trans do Rio de Janeiro (Visibilidade Trans)

A Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual e a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil da Prefeitura do Rio realizaram na terça-feira, 29, o I Seminário de Cidadania Trans – Dignidade, Inclusão e Respeito. O encontro aconteceu no CAP 1.0, no Centro, e marcou as comemorações desses dois órgãos em torno do Dia Nacional da Visibilidade Trans.

O I Seminário de Cidadania Trans – Dignidade, Inclusão e Respeito contou com uma plateia de aproximadamente 100 pessoas e levou aos presentes debates sobre questões relacionadas à vivência da travestilidade e da transexualidade e foi a fundo nos temas propostos: dignidade, inclusão e respeito da população Trans.

Coube ao coordenador especial da Diversidade Sexual, Carlos Tufvesson, dar início às mesas de conversa. “A maior reivindicação é a capacitação para o mercado de trabalho, que defendemos na CEDS através do projeto Damas, de capacitação e inserção dessas profissionais. Como gestores, temos de garantir o direito à cidadania a todos os cidadãos. Levantamos a bandeira de um Rio sem preconceito, não precisa entender, mas temos de respeitar a diversidade, porque é lei”, frisou Tufvesson, que teve a companhia do subsecretário de Atenção Primária, Vigilância e Promoção de Saúde, Daniel Soranz, e da presidente do grupo Transrevolução, Giselle Kuzattis, ao iniciar o dia de atividades voltadas para a população T.

A “Mesa da Manhã” tratou de forma clara sobre saúde, história e direitos dos cidadãos e cidadãs travestis e transexuais. Participaram do debate a superintendente da Subsecretaria de Atenção Primária, Vigilância e Promoção de Saúde, Dra. Betina Durovni, a historiadora, Dra. Rita Colaço, e a advogada, Dra. Tatiana Crispim.

A Dra. Betina Durovni explicou como funciona o atendimento na rede de saúde do município e os projetos direcionados à população T. Já a advogada Tatiana Crispim, contou da dificuldade de conseguir empregos em sua área pelo fato de ser transexual. “Existe transfobia sim. Mas eu venci e hoje estou empregada em uma empresa onde sou respeitada como profissional”, disse a moça, que completou: “Nosso lugar não é a rua. Nosso lugar é em qualquer lugar. Temos coragem e não somos dignas de pena. Somos guerreiras e lutadoras que vamos atrás de nossos objetivos e precisamos unir forças”. Já a historiadora e decana do movimento LGBT, Rita Colaço, exaltou o núcleo de protagonismo e resistência do segmento T na década de 70, em especial no ápice da ditadura militar.

 A “Mesa da Tarde”, conduzida pela supervisora do projeto DAMAS, Beatriz Cordeiro, levou aos presentes trajetórias vitoriosas de vida de cidadãos e cidadãs transexuais. A emoção, a clareza e a sinceridade trazidas por depoimentos tocantes deram a tônica dos bate papos. Participaram da conversa a modelo internacional Léa T., a musicista Kathyla Valverde, o escritor, João W. Nery, a atriz, cantora e dançarina, Cláudia Celeste, a professora de artes da rede pública Municipal e Estadual, Maya Valentina e o professor da Faculdade de Serviço Social da UERJ, Guilherme Almeida.

O professor da Faculdade de Serviço Social da UERJ, Guilherme Almeida abriu a tarde e expôs as dificuldades e curiosidades sobre seu processo de transição e também citou a importância de ter um maior reconhecimento jurídico no Brasil em relação a população T. “Espero que, de fato,  possamos alçar no que se refere às experiências trans o patamar do que já é possível na Argentina, em Portugal e outros países”, pediu Almeida, que também exaltou a importância da figura de João W. Nery para os transexuais masculinos nos anos 80.

O I Seminário de Cidadania Trans – Igualdade, Inclusão e Respeito, também contou com a exibição do curta metragem “A inevitável história de Letícia Diniz”, de Marcelo Pedreira. No elenco, Jane di Castro, que também estava presente na tarde de conversa no Centro do Rio e aproveitou para felicitar Lea T: “Seu depoimento me comoveu. Ninguém pode falar que você está certa ou errada. Eu não sou mulher, sou uma travesti e me transformei pela arte”.

Fonte: CEDS


Google Translate