29 de out. de 2013

ABHT aderiu oficialmente à campanha internacional Stop Trans Pathologization

A ABHT já consta na lista de organizações que aderiram à Campanha Internacional Stop Trans Pathologization. A campanha objetiva, segundo seu Manifesto, a retirada da transexualidade dos manuais de doenças mentais (DSM-TR-IV e CID-10); o direito da modificação do nome e sexo nos documentos oficiais sem precisar de qualquer avaliação médica psicológica; e o direito de autonomia sobre nosso próprio corpo: o direito a decidir livremente se queremos ou não modificar nossos corpos podendo levar a cabo nossa decisão sem impedimentos burocráticos, políticos nem econômicos, assim como livres e qualquer tipo de coerção médica; o fim das operações a recém-nascid@s intersex; a inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho e instituições de ensino e o fim da violência transfóbica e do silêncio envolta desta.

Para quem tem dúvidas sobre se deve despatologizar ou não, observamos que precisamos nos colocar no mundo como parte de uma diversidade humana, não como uma patologia psiquiátrica. É uma questão de identidade, não de patologia. E observar que os processos de atenção à saúde acabam sendo indignantes para as diversas e múltiplas experiências de vida trans porque olham a pessoa trans por um ótima cis e heteronormativa, nos incapacita da autonomia de decidir sob o nosso próprio corpo e nos deslegitima do direito de dizer que somos. Quem tem esse poder é o profissional da saúde que geralmente nem de longe sabe o que a gente passa e nós vivemos isso na nossa pele, todos os dia desde sempre. Temos nossa dignidade humana ferida em função da medicina considerar uma parte tão fundamental da nossa pessoa que é nossa identidade de gênero uma patologia, não uma forma de ser gente no mundo. Lembrem-se que não só se cria uma enorme burocracia diagnóstica, mas também para o processo de mudança de nome e sexo no registro civil. Para muita gente trans é só prejuízo. E é uma questão de dignidade humana.

Às pessoas que têm medo de perder o acesso a saúde: temos justificativas demais amparadas pela academia (que estuda saúde, saúde trans e políticas públicas de saúde trans), por toda uma perspectiva do SUS e inclusive da Organização Mundial de Saúde de compreender que saúde não é só ausência de doenças, e sim o pleno bem estar social, mental e físico. Isso significa que não precisamos ter um doença para receber atenção à nossa saúde, em nosso caso: psicólogo, cirurgias e hormonioterapias. Psiquiatra se alguém precisar. Não pra diagnosticar. E não há justificativas para perdermos o Processo Transexualizador no SUS.

Mas é uma longa estrada, e despatologização e/ou despsiquiatrização de fato teremos se o CID - Código Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde (que nos patologiza) realizar isto no lançamento de sua próxima revisão, o CID-11, que está previsto para sair em 2015.

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