Os principais temas trabalhados sobre saúde trans foram: atualização do processo transexualizador no SUS (serviços especializados que estão atendendo e/ou estão em processo de organização para realizar atendimento do Processo Transexualizador nos estados, Nova Portaria, Cartão SUS só com o nome social); demandas dos movimentos sociais de trans nos estados para organização da rede de atenção e a formação dos profissionais de saúde na atenção primária (respeito ao uso do nome social) e serviços especializados (hormonioterapia e cirurgia); sistematização das propostas para orientar quais ações podem ser desenvolvidas pelos estados, Ministério da Saúde e controle social no ano de 2014.
Fizemos contatos com o Coordenador Nacional de Política de Saúde do Homem para construir coletivamente a inclusão dos homens trans dentro desta política; e dialogamos apoio com o Coordenador de Alta e Média Complexidade (DAE/SAS/MS) a respeito da negação da ANS em compreender como obrigatórios os procedimentos cirúrgicos de mastectomia para homens trans através dos planos de saúde.
Nova Portaria do Processo Transexualizador no SUS: leitura crítica e informes
Em nossa leitura crítica à Nova Portaria do Processo Transexualizador no SUS, construímos a seguinte tabela de críticas a respeito destas novas diretrizes:
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Pontos positivos
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Pontos negativos
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Inclusão
de protocolos de procedimentos de mastectomias e histerectomias para homens
trans: a inclusão formal dos procedimentos aumenta o acesso a tais.
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Linguagem
equivocada nas tabelas de procedimentos, se referindo aos homens trans no
gênero feminino e às trans no gênero masculino.
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Inclusão
de protocolo de tireoplastia e colocação de próteses para mulheres
transexuais (mas não para travestis): a inclusão formal dos procedimentos aumenta a
possibilidade de acesso a tais.
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Ausência
do protocolo de procedimento de transgenitalização dos homens trans:
demandamos a inclusão da metoidioplastia.
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Inclusão
de protocolo de hormonioterapia, apenas a partir dos 18 anos: porém com o
protocolo de atendimento, temos mais acesso aos endocrinologistas nas equipes
multidisciplinares do SUS
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Dois
anos estanques de acompanhamento pré-operatório (como se a atenção estivesse
pautada no diagnóstico e/ou nas cirurgias e como se dois anos fossem
necessários para todos, nem aquém, nem além) e só um ano no pós-operatório
(acreditamos que há pessoas que podem demandar de mais de um ano).
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Dois
tipos de credenciamento (ambulatorial e hospitalar): mais possibilidades de credenciamento,
aumenta possibilidade de acesso ao serviço.
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Mantém
psicoterapia compulsória, diagnóstico psiquiátrico e idade mínima de 21 anos para
realizar cirurgias.
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Quando problematizado, ficou claro que há pontos que dependem do Conselho Federal de Medicina atualizar a Resolução CFM nº 1.955/2010 (que regula as cirurgias em transexuais) a respeito da idade mínima para realização das cirurgias, dos dois anos obrigatórios de acompanhamento, e a inclusão do procedimento de "metoidioplastia" dentro da Portaria - e que esta negociação agora necessita ser uma articulação do movimento social com o próprio CFM; e que a Nota Técnica publicada pelo Conselho Federal de Psicologia e nem a Nova Portaria do Processo Transexualizador no SUS ainda não garantem exatamente que a psicoterapia não seja obrigatória.
A respeito dos dois anos de acompanhamento pré-operatório e de um ano no pós-operatório, o Ministério da Saúde respondeu que os usuários trans do Processo Transexualizador no SUS serão encaminhados à rede de atenção básica. E a respeito da não colocação de próteses de silicone em travestis, respondeu que a possibilidade ainda está sendo estudada no âmbito do Ministério da Saúde.
A respeito das filas enormes para a pessoa trans conseguir ser atendido/a e realizar cirurgias dentro das equipes multidisciplinares, o técnicos do Ministério alegam que trata-se da necessidade de ampliar a quantidade destes "serviços de atenção especializada no Processo Transexualizador no SUS" (as equipes multidisciplinares) pelo país no âmbito do SUS - um processo político que precisa ser feito não só com vontade da gestão, mas com pressão do movimento social e das pessoas trans daquele local.
Também ficou claro que as poucas cirurgias realizadas por mês em cada estabelecimento de saúde, que também tornam as filas enormes, não é de responsabilidade do Ministério da Saúde: é de responsabilidade do próprio estabelecimento de saúde. Ou seja, se o HC da Usp só faz uma cirurgia de transgenitalização por mês, os profissionais da equipe e os/as usuários/as do serviço precisam se articular conjuntamente para que a diretoria do hospital consiga mais recursos financeiros e humanos para realização de mais procedimentos cirúrgicos e de mais procedimentos ambulatoriais de consultas com endocrinologistas, assistentes sociais e psicólogos.


Homens trans no Brasil
Homens trans no exterior



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