5 de mar. de 2011

Empresas que dão benefício trans em convênios de saúde

"Quer mudar de sexo de graça? Trabalhe para a Coca-Cola, Yahoo!, American Express e AT&T. O que você acha de empresas como essas gigantes do título do post oferecerem a seus funcionários planos de saúde que incluam cirurgias de sexo? Muitas discutem o assunto e já consideram o benefício um direito do staff.



Sinal de novos tempos. Onde há cada vez menos espaço para o preconceito e a discriminação. E onde é valorizado o respeito a quem acha que nasceu homem ou mulher por um engano, uma armadilha da Natureza. Essa é a nova tendência nas grandes corporações multinacionais.

Será que é porque são todos bonzinhos? Não. Especialistas no mercado ensinam: entender as necessidades de seus funcionários, entre eles os poucos transexuais, é ser competitivo, é saber mudar e ser flexível. A tendência passou a ganhar fôlego exatamente quando algumas empresas começaram a perder talentos porque eles eram transexuais e queriam mudar de sexo oficialmente.

Li isso numa reportagem do site do Daily Mail ontem e achei bacana. Há exemplos de personagens, como Gina Duncan (fotos ao lado antes e depois da cirurgia), que há quatro anos se tornou, com a ajuda da empresa para a qual trabalhava, a Wells Fargo, uma funcionária – em vez de um funcionário. A foto dela mostra uma mulher orgulhosa de seu gênero conquistado. Gina ainda trabalha na mesma empresa, que financiou próteses nos seios e reconstrução genital, além do atendimento psicológico que acompanha esse tipo de operação.

Ela é muito grata aos patrões: “Escuto tantas histórias de pessoas que eram como eu e que, por falta de apoio total, perderam a família, o emprego, os amigos e ficaram à margem da sociedade”.

A ideia, que começou timidamente, é que as corporacões ofereçam um plano de saúde empresarial que cubra pelo menos o equivalente a 75 mil dólares de cirurgia de sexo, além de outros tratamentos menos custosos, mas relacionados a mudança de sexo.

No início, as empresas chiaram. É muito dinheiro. Mas os defensores dos direitos dos gays alertaram: é óbvio que não haverá uma “corrida” a cirurgias de sexo dentro das empresas. Uma coisa é ser homossexual. Os homossexuais não querem mudar de sexo. Outra, muito diferente, é ser transexual, quando a pessoa se sente presa num corpo que nada tem a ver com seus anseios, ou com sua personalidade.

Alguns transexuais importantes e desbravadores têm contribuído para que essa cirurgia passasse a ser contemplada como uma outra qualquer. Um exemplo citado pelo jornal inglês é de uma vice-presidente assistente da New York Life, Stephanie Battaglino, 52 anos, que se tornou há cinco anos a primeira funcionária graduada a fazer isso abertamente. Mas precisou custear a cirurgia com o dinheiro que estava na sua conta de previdência, para a aposentadoria. A operação não era coberta pelo plano de saúde.

“Sempre digo a amigos que a minha transição no trabalho, de homem para mulher, ocorreu tranquilamente e eu faria tudo de novo. Mas se eu tivesse tido a cirurgia financiada por meu plano de empresa, teria sido bem melhor”, disse Stephanie. Ela hoje tem tentado convencer os executivos de que oferecer esse tipo de benefício dentro do plano oficial não levará à falência nenhuma empresa. Dentro da companhia para a qual trabalha, disse, só dois ou três funcionários provavelmente gostariam de se submeter a essa cirurgia.

Essas cirurgias são violentas, mas, para quem tem certeza de ser transexual, o apoio oficial é fundamental. Esse é um distúrbio de identidade, que torna as pessoas mais suscetíveis a tentativas de suicídio. Entender e ajudar faz com que pessoas doentes se tornem funcionários mais felizes e produtivos. Além disso, as empresas faturam com o discurso de respeito à diversidade sexual.

A premissa dos advogados dos transexuais é básica: as empresas deveriam encarar essa cirurgia do ponto de vista puramente médico, em vez de supor que se trata de uma operação estética ou opcional. ‘Se a pessoa tem apendicite, vai se tratar com seu plano de saúde se estiver trabalhando numa corporação. É como se fosse o mesmo”, disse ao mailonline Andre Wilson, um consultor nessas questões transexuais.

Antes de mais nada, é preciso que nós, as empresas e a sociedade pesquisemos mais sobre o transexualismo. Porque é impossível que heterossexuais se coloquem no lugar deles e sintam o que estão sentindo. Feito o diagnóstico de maneira séria e precisa, essa pessoa terá de ser atendida como um paciente. Se o distúrbio é reconhecido como enfermidade pela Associação Médica do país em questão, é verdade o que diz Andre. É preciso curar como se fosse uma apendicite.

Qual é sua opinião?"

Em 22/02/2011 por Blog Mulher 7 por 7
Fonte: http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2011/02/22/quer-mudar-de-sexo-de-graca-trabalhe-para-a-coca-cola-yahoo-american-express-e-att/

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