5 de mar. de 2011

Paraíba terá serviço de atendimento a transexuais pelo SUS

A pedagoga e cerimonialista Fernanda Gadelha, 40 anos, deverá ser a primeira transexual na Paraíba a fazer uma cirurgia de mudança do sexo masculino para o feminino pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O custeio do procedimento passou a ser obrigatório pelo SUS desde 2007, por determinação da Justiça Federal.


Segundo determinação do Ministério da Saúde (MS), antes da chamada transgenitalização propriamente dita, a paciente tem que passar, obrigatoriamente, pelo menos dois anos sendo acompanhada por psicólogos e uma equipe multidisciplinar, para que eles avaliem se realmente há necessidade da cirurgia, que é irreversível. Na Paraíba, a sessão de DST/Aids da Secretaria de Saúde de João Pessoa está em processo de organização do serviço, que até então nunca foi feito no Estado.

“Estão sendo feitas reuniões e o chefe do setor está mobilizando as equipes para que nós possamos fazer aqui no Estado essa adequação de sexo – do biológico para o psicológico. Não sabemos ainda quando esse acompanhamento pré-operatório estará estruturado e nem a data em que o procedimento cirúrgico começará a ser feito”, explicou Tatiana Tinange, consultora de DST/Aids. Ela acrescentou que o Hospital Universitário deverá ser a unidade selecionada para realizar as cirurgias.

Tatiana explicou ainda que a ideia de preparar esse serviço aqui na Paraíba surgiu da demanda de transexuais que mantinham contato com um psicólogo do setor de DST/Aids, e que manifestavam a necessidade da cirurgia.
Fernanda Machado foi uma dessas pacientes que procuraram o serviço de saúde em busca da adequação de sexo e conseguiu ter o nome como o primeiro da lista de espera. Segundo ela, o acompanhamento pré-cirúrgico será iniciado já em março e a expectativa é que o procedimento não demore a acontecer.

Descoberta aconteceu aos sete anos

“Sou mulher, me sinto mulher, minha cabeça é de mulher e penso como mulher”, destaca Fernanda Gadelha, frisando que desde que descobriu a sexualidade, aos sete anos, se vê de maneira diferente ao sexo biológico que possui. “Desde pequena, eu me vestia como mulher, pegava as roupas e os sapatos da minha mãe. Não se aprende a ser transexual, se nasce assim”, garante a pedagoga Fernanda.

Fernanda revela ainda que a cirurgia será uma realização pessoal, “é o que eu quero. Desejo ser mulher por completo, quero ser mais mais feliz, quero me encontrar”.

Conforme a consultora de DST/Aids, João Pessoa ainda não abriu oficialmente inscrições para as pessoas que desejam fazer a transgenitalização, já que o serviço ainda está em estruturação. Contudo, os interessados em realizar o procedimento podem procurar o Hospital Universitário para colocar o nome em uma lista de espera.

Documentário

A vida de Fernanda Gadelha está sendo objeto de um documentário do professor Bertrand Lira, a ser lançado após o período do carnaval. Ela destaca que o vídeo mostrará todos os aspectos da vida de uma transexual e os preconceitos que ela enfrenta na sociedade. “Eu sofri muito na universidade em que me graduei. A escola é excludente do grupo de gays, lésbicas e simpatizantes”, conta, ressaltando que na vida profissional também teve que travar batalhas para poder vencer a discriminação.

“Quanto mais a gente se mostra feminina, menos oportunidades a gente tem”, completa. Fernanda revela que a intenção do documentário é também mostrar a trajetória de uma transexual que não se prostituiu e conseguiu sucesso na vida.

Fontes:
1 - http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20110218071735&cat=paraiba&keys=conheca-mulher-fara-cirurgia-mudanca-sexo-pb
2 - http://www.paraiba1.com.br/Noticia/56016_pedagoga-tera-a-primeira-cirurgia-de-mudanca-de-sexo-na-pb-pelo-sus.html
3 - http://www.clickpb.com.br/artigo.php?id=20110216012458&cat=paraiba&keys=servidor-camara-municipal-joao-pessoa-fara-cirurgia-mudanca-sexo-pelo-sus
4 - http://jornaldaparaiba.globo.com/noticia.php?id=29674

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